Um planejamento todo ele feito com base numa temporada cheia, contratos anuais com atletas e cotas de patrocínio vendidas.
“Muito mais do que isso, existe o papel moral de uma equipe em ascensão e que pode ser obrigada a fechar as suas portas no segundo semestre”, afirma o gerente de futebol do Cianorte, Adir Kist, aoESPN.com.br.
O clube paranaense está pronto para partir para a briga com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Em 26 de outubro do ano passado, conforme documento obtido com exclusividade pelo ESPN.com.br (leia na íntegra mais abaixo), a entidade enviou aos dirigentes um comunicado assinado por seu diretor de competições, Virgílio Elísio, em que confirmava a 5º posição do time na Série D e assegurava a sua participação na edição deste ano do campeonato.
Na oportunidade, ao receber ofício, o gerente da equipe, Adir Kist, comemorou o anúncio através de sua conta no Twitter.
Ele só não contava com uma reviravolta no plano inicial da CBF de diminuir de 40 para 32 clubes a Série D em 2013. Depois de fracassar na negociação com as federações, a entidade divulgou a manutenção do formato ainda em dezembro e surpreendeu na última semana ao voltar atrás em seu comunicado anterior e não incluir o Cianorte na disputa desta temporada.
Não deve ficar assim e o caso pode parar na Justiça Desportiva.
Ao todo, o time calcula um prejuízo de R$ 3 milhões com a decisão e não aceita arcar com o valor sozinho. O plano é dividir o gasto com a CBF.
“Não pedimos para sermos confirmados. Foram eles que comunicaram. O Cianorte era a única equipe garantida por documento. Agora que consertem. Não podemos pagar essa conta. O nosso custo mensal hoje é de R$ 250 mil”, desabafa o gerente de futebol, Adir Kist.
De acordo com a tabela divulgada pela entidade, o Paraná tem direito a duas vagas na competição nacional, a serem distribuídas entre os clubes de melhor campanha no estadual – atualmente, Londrina e J. Malucelli. Coritiba e Atlético-PR, garantidos na Série A, e Paraná, confirmado na B, não entram na briga.
Além de protestar com o ofício enviado pela CBF, o Cianorte ainda argumenta com o regulamento aprovado pelos presidentes para o Paranaense deste ano. Segundo seus dirigentes, o documento corrobora a presença da equipe na quarta divisão e disponibiliza apenas um lugar no torneio.
“Desde que fomos notificados, fizemos uma reestruturação e desmontamos um elenco de três anos. O Paranaense em si não seria primordial. A gente estava na Copa do Brasil e na D”, diz.
“Já nos manifestamos juridicamente antes e conversamos com o Virgílio (Elísio). É prematuro falar em Justiça Desportiva, mas obviamente vamos buscar todas as instâncias. Nunca somos a favor de litígio, mas não foi culpa da gente e queremos ver qual será a solução”, completa.
Procurada pela reportagem, a CBF não se manifestou até o fechamento da matéria.

